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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Vestir um fato que não é o seu!

As eleições primárias do PS deram uma vitória clara a António Costa, com um diferencial maior do que o previsto. O desenvolvimento da campanha fazia adivinhar a vitória do ainda presidente da Câmara de Lisboa, uma vez que o até ontem secretário-geral do partido direccionou a sua campanha de uma forma errática, apresentando as suas comunicações num tom e num timbre em tudo diferente do que tinha usado para se tentar credibilizar. De Seguro estava estabelecida uma ideia de indivíduo sem chama, com sangue de barata, ponderado e pouco incisivo. Para uns por traço de personalidade, para outros por tacticismo. Certo é que não podia ter chegado à campanha interna a usar um tom contra o adversário interno, que nunca tinha usado contra o primeiro-ministro. Acabou com a imagem que tinha, que criou ou lhe criaram, e descredibilizou-se. Em comunicação, ajustar ao contexto faz todo sentido, querer fazer de alguém aquilo que ele não é tem sempre efeitos perniciosos.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Silly season gelada...


A chamada época ‘silly season’ acaba agora em Agosto, naquele que é o mês de férias por excelência. As notícias, com a reabertura das diversas instituições e serviços, bem como o retorno das pessoas ao normal funcionamento laboral, deixam de ser ‘leves’ e os jornais esfregam agora as mãos por, finalmente, terem notícias realmente importantes e/ou relevantes.

Este Agosto vai, no entanto, ficar marcado por notícias tristes e que não são propriamente ‘silly’. O desaparecimento do actor Robin Williams, da atriz Lauren Bacall, do jornalista Emídio Rangel ou ainda do jovem actor português Pedro Cunha, deixaram-nos meio atordoados e com um amargo de boca.

Se por um lado vimos partir nomes gigantes, que fizeram manchetes, aberturas de telejornais e muita tinta correu, por outro lado este Agosto foi parco, felizmente, naqueles que são, normalmente, os grandes protagonistas do verão: os incêndios! O clima ajudou, já que também foi parco em calor e noites quentes. Fomos a banhos como os ingleses em Inglaterra: a medo! Com medo que chova, com medo que vente, com medo dos baldes de água gelada… E eis que chegamos à verdadeira ‘silly season’: os banhos de água gelada. Desde o nosso CR7 até à Beyoncê, passando pelo ‘amigo’ Mark Zuckerberg, o José Mourinho ou até o ex-presidente do EUA, George Bush, ninguém, ou quase ninguém, quis deixar de entornar sobre si um balde de água gelada. Quem ficou a ganhar foram as vítimas de Esclerose Lateral Amiotrófica e as suas associações que, assim, foram recebendo generosos donativos dos famosos desafiados.

Confesso que gostei de ver as fotos, assim como os vídeos que correram mundo através das redes sociais. Os gritinhos da Jennifer Lopes, os grunhidos do jogador David Luiz ou o sorriso amarelo da ‘nossa’ Claudia Jacques divertiram-me. Agora, para a ‘coisa’ ser de facto desafiante e interessante, gostaria de os ver, a todos, a voltarem a fazer o mesmo, mas em Dezembro. Também pode ser Janeiro. Aí sim, era coisa de gente corajosa!
 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Mentir ajuda?



Durante anos, o jornalista via o assessor de comunicação como alguém em quem não podia confiar. Não lhe dava credibilidade, por ver nele alguém que só mostrava "o lado bom" da entidade ou pessoa que assessorava, e evitava-o mesmo.

O assessor, porém, tornou-se um profissional de grande ajuda para o jornalista, ao facilitar-lhe o acesso às fontes e ao fornecer-lhe informação objetiva, interessante e sistematizada.

O preço da mentira é tão ou mais alto para o assessor do que para o jornalista: o assessor que presta informações falsas dificilmente volta a conquistar a confiança do jornalista, que opta por procurar informação noutro lado e deixa de confiar no assessor, passando a evitá-lo por ser alguém que perdeu a credibilidade.

Mentir pode até ajudar no curto prazo, mas é fatal!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Da silly season

Na área da comunicação, a silly season é uma oportunidade e não um degredo. As melhores reportagens que vi e li são dessa altura, porque isto de ir a banhos só proporciona mais tempo e empatia para consumir informação.
Faz-me confusão a ideia, mais ou menos comummente instituída, de que em época de férias não vale a pena comunicar. Com o período de crise que assola o País de há uns anos a esta parte, o conceito caiu um pouco, e o noticiário gira invariavelmente à volta das consequências dessa mesma crise. Mas não deixa de ser uma altura em que os jornalistas se livram da conferência de imprensa e da reunião partidária, para se focarem em temas fora da agenda e contarem verdadeiras histórias. No fundo, aquilo que é o fio identitário de cada publicação e que verdadeiramente os pode destrinçar de todos os outros. 


quinta-feira, 10 de julho de 2014

O toque do papel


Jornais e notícias não são a mesma coisa em termos de negócio: há quem veja negro o futuro dos jornais, devido às quebras do número de leitores e das receitas publicitárias, e radioso o das notícias assente nos meios electrónicos.
Há mesmo quem diga que, após uma década a adaptar-se ao negócio via computador, a indústria da comunicação tem repentinamente pela frente outro grande desafio: atrair os leitores para as plataformas móveis.

Qual é a sua perspectiva? Só lê notícias no smartphone ou não dispensa o jornal em papel?